segunda-feira, 22 de maio de 2017

O assalto final


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O mundo não vai acabar. O mundo nunca acaba. Nem o Brasil. Os últimos 20 anos tornaram o país mais dependente e subdesenvolvido. O privilégio de classe cresceu em termos de poder, renda e patrimônio (propriedade). A república rentista goza de boa saúde e nada poderá ser feito contra ela nos marcos da política atual.
O debate público sobre a economia política - que nunca foi exigente entre nós - empobreceu vertiginosamente nas últimas décadas. O liberalismo de direita (tucanos a cabeça) firmou fé no tripé (taxa de juros, inflação e cambio). O liberalismo de esquerda (petistas na condução) incorporou a "herança liberal" e agregou a caridade cristã (migalhas orçamentárias apresentada como programas sociais).
A crise atual revelou o colapso dos partidos da ordem (sistema petucano). A Globo assumiu a condição de consciência possível de uma burguesia rentística; no entanto, também o monopólio televisivo esta subordinado a luta de classes e jamais funcionará como um "Deus ex machina".
A recessão prolongada, o nível de endividamento das empresas e a ação dos bankgsters Meireles e Goldfajn ganharam força exercendo na prática a condução do governo. Dane-se Temer! O fundamental são as reformas do capital, com ou sem mesóclise.
A contabilidade nacional indica a existência de 377,066 bilhões de dólares nas reservas. Durante o governo Lula até mesmo algumas figuras razoavelmente informadas indicavam o "nível inédito das reservas" como comprovação da competência petista na administração da ordem burguesa. Nas dezenas de debates e cursos que participei nos últimos anos, sempre denunciei (inutilmente, confesso) esta idiotice propalada como ciência certa apresentada como prova irrefutável de que o país tinha rumo. O momento mais irritante era ouvir da boca de sindicalista a afirmação de que "com estas reservas o país esta bem" e o fato revelava, segundo a consciência ingenua, o quanto a política econômica do PT era distinta do PSDB. Pois bem, nesta semana o Meireles e o Goldfajn repetiram Dilma e venderam swaps cambiais, além de resgate antecipado dos títulos públicos do Tesouro Nacional. Ainda assim o real desvalorizou. A massa viu como a JBS ganhou seus milhões com a especulação da moeda após a delação de seu principal burguês. No final do ano veremos o resultado no balanço suculento dos bancos Afinal, a crise não é mesmo oportunidade?
Bueno, esta carta - o ataque da burguesia contra a moeda - esta sob a mesa. Poderá ser usada? Depende do ritmo das reformas do capital e do instinto de sobrevivência de Temer. A experiência ensina que jogadas arriscadas fazem parte do cardápio da burguesia, especialmente numa república rentista. Neste contexto, o ataque especulativo das distintas frações do capital destinado a tomar os 377 bilhões de dólares para proteção privada em tempos de crise poderá ser usada inclusive para forçar a aprovação das reformas do capital em condições políticas aparentemente adversas. A luta agora é pelo Fora Temer e contra as reformas do capital. Nada mais. O ataque especulativo já esta sob a mesa e poderá, dependendo da situação política, ser usado pelos capitalistas para impor a lógica das situações extremas. Neste jogo de vida ou morte, a burguesia sustenta Temer, a eleição de um governo pelo covil de ladrões (congresso nacional) e até mesmo eleições diretas. O Brasil não vai acabar, obviamente. Ficará mais dependente e seu povo mais pobre. Acabar nunca.
O solo da Pátria precisa arder dia 24. O grito de Fora Temer e abaixo as reformas do capital são, no momento, nossas bandeiras.

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